terça-feira, 1 de maio de 2007

Nono poema: este é um dos favoritos. Deve ter mais de seis anos (pra mim, isso é velho, já que comecei tarde com poemas). Tantas mudanças de estilo depois e ele continua lá, inteiriço em sua visão espectral e cristalizada de mais um fenômeno da natureza. Espero que gostem tanto quanto eu mesmo.

Luz

A luz é também a clareza dos instrumentos numa câmara fechada.
O que rodeia a luz são insetos de escuridão.
(são mariposas esfarrapadas, congregando-se na praia de areias
[douradas; mas à medida que os grãos sujam suas asas, elas (as asas) [começam a cair)
O espaço lança seus feixes negros para desiluminar as planícies reinadas [de sol.
A luz é o momento em que consigo calar o silêncio mudo que me protege
[de olhos fechados.
Ela revela-se quando eu construo meu raio, feixe por feixe, pedaço
[de fóton por pedaço de fóton, numa escada que é tão flexível quanto a
[intangibilidade daquilo que eu não vejo.
Minha luz construída: razão que me salva instantes antes de se [desmontar.
Ela também enegrece: a pele, os ossos, o mar, que vira pedra, areia, que
[vira vidro, e depois caverna.
Amarelo, doce, ouro. Branco, que converte o coração.
Fosco, turvo, morto, que enegrece a alma.
Antes que a noite inteira me abrace: acendo uma vela, que me permite
[escalar, até encontrar uma extremidade de luz insustentada, e volto a [cair.
A luz muitas vezes é parda.
O escuro às vezes são invertebrados que se amontoam sobre a luz.

5 comentários:

John Pothead disse...

Fala Ciro, gostei muito desse poema!

Abração

Al Berto disse...

E ao anoitecer

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Bob disse...

Eita! 2 posts! Tá bombando isso aqui!

John Pothead disse...

conseguir linkar seu blog no meu! tive que fazer no html

Bob disse...

Legal! Hipertexto é o que há!