quarta-feira, 18 de junho de 2008

Tirando a poeira....

Sei que o blog não é atualizado desde 2007. Bem, estava me dedicando mais às atividades do "Nexo Grupal", que tem mais ibope mesmo. Mas planejo uma bonita reformulação para este blog modesto de poesia sem pieguice. Reabro as portas então com este "processo", poema muito caro a mim porque, apesar de ser bastante abstrato, é um painel das minhas bases de operações mentais. Trata-se de um processo constante e monocórdio, que temos de resolver até que ele nos condene definitivamente. Como em Kafka, só que mais literal e com as proporções evidentes devidamente salientadas.

PROCESSO

Equilíbrio, você sabe, é redundância.
Pânico e pêndulo:
que há um sedimento de calcário, nós sabemos.
Tremor dos neurônios:
não é uma boa figura,
mas uma onerosa realidade.
Tempestades:
cada coisa em seu devido lugar.
A dor: possui um fundamento científico.
Pânico e pêndulo:
balanço da devoração.
E sofrem os olhos, equilibrados.
Cada lágrima encadeada
ratifica o processo.
Tumor esquizóide:
tem o pleno direito de nascer.
A experiência de quase-morte
está no tênue timbre do vidro.
Do lado opaco ao lado oco
manifesta-se o fausto do equilíbrio.
Tempestade elétrica:
se existe, existe pra valer (se existe).
O corpo dormente, o peito febril, repousam no lençol do processo.
Desliza o sangue do suicida, enrosca-se nos eixos do processo, liberta-se [e vai, vai...
A tristeza, no seu acorde aristocrático, nada tem com isso e apenas vê de [longe.

5 comentários:

Anônimo disse...

Que bom que as atualizações voltaram!
"A tristeza, no seu acorde aristocrático, nada tem com isso e apenas vê de [longe." Esse verso é uma referência a um trabalho mais sóbrio de composição, não? A tristeza "não tem nada a ver com isso", mas vê de longe, ou seja, permanece presente, mesmo que como uma espécie de espectadora do processo de composição?
Um grande abraço, eiliko

Julio Bezerra disse...

Ciro,
tudo bem? meu nome é Julio Bezerra, nos vemos no Socine. Falei sobre cinema, corpo, Merleau-Ponty... Perdi o papel com o teu e-mail. Escreve aí pra mim:
juliocarlosbezerra@hotmail.com

Valeu!

anna disse...

atualiza!

anna disse...

tá russo pra atualizar, hein, bob!

Anônimo disse...

é isso aí, atualiza!
eiliko