quarta-feira, 21 de março de 2007

Segundo poema: "A Voz do Trovão" eu escrevi há mais ou menos 4 ou 5 anos, e é um poema bastante problemático, porque sempre tenho dúvidas se devo quebrar a sintaxe em construção na dinâmica do texto ou se devo utilizar versos mais longos, estilo que eu adotaria nos anos posteriores. Ele sofreu várias reformulações até chegar à forma que estou postando aqui, e ainda sinto que ele ainda não encontrou sua forma de repouso ("forma de repouso" é como chamo o poema quando ele finalmente decide descansar, fechar seu organismo, inteirar-se, cerrar-se para sempre. Uma mistura de morte e maturidade). É claro que sempre olho com desconfiança para esses poemas velhos, mas tenho um carinho especial por esse. Ainda acho que é uma das idéias mais legais que eu já tive, junto com seus poemas-irmãos "Noite do Logos" e "Mundo Míope". Todos eles trazem à tona o meu fascínio infantil por aquilo que é intangível, de representação abstrata, como o som, a razão, a visão, etc...

O que acham disso tudo? Comentem aí!

A Voz do Trovão

Rio de luz serpenteia nuvens pra se encavar no buraco.
De onde vem o silvo do trovão?
Claridade embalsamada nos meus olhos:
e meu temor sem sentir.
O que se vê é o que se ouve num espaçotempo-delay.
O relâmpago lança a terra como estupro.
A terra geme; aviso de dor.
De quais clareiras vêm os barulhos soturnos, que dançam nos ventos,
nos encantam sem aviso,
e demolem nossa percepção comum?
Já que a voz do homem vem das entranhas:
precisa implodir para saltar como jato de gozo para a liberdade vã [mortífera.
A voz do homem nasce em mundo completo e concentrado, e separa-se,
[fragmento de vida que apodrece, para morrer no ébrio das coisas [silenciosas.

Um comentário:

Mateus disse...

Muito filosófico, gosto disso, das definições por sensações, a natureza vem que vem com os trovões!
abraço
mateus
p.s. dá uma olhada no blog da minha mãe: http://jandiracosta.blogspot.com/